Sapatos-de-Papel
“Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.”
— Mário Quintana.
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Você é aquele tipo de pessoa inconfiável, seus movimentos são joguinhos manipuladores, seus discursos nem se fala. Já faz tempo que parei de guiar minha vida com suas frases de para-choque de caminhão. Fui embora. Agora de uma vez. Sem volta e sem conversa. Voltei para a casa dos meus pais, mas não por muito tempo. Meu antigo quarto virou uma sala de cinema. Talvez eu volte pra Lisboa. Aliás, não te interessa. Não estou dizendo isso porque no fundo te quero ralando joelho pelas ruas atrás de mim. Não dessa vez. Não vem com bombons, não vem com desculpas, não vem com canções. Não vem. Se você tiver a fim de compreender o presente, precisa analisar o passado. Todo ele, dia a dia, cada palavra, seu borderô de atitudes passadas. Dá uma olhada em tudo que você fez e me diz. Viu? A novidade é que o dia que eu sempre prometi que viria, e que você nunca esperou chegar de verdade, veio. Eu cansei. Não sou mais eu. Contou os anos? Quanto tempo esperei por você? Você crescer, você mudar, você mostrar algum remorso. Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você. Só quem enfrenta longas esperas sabe como é o inferno por dentro. Eu sempre falei, um dia alguém tinha de te dizer não. Eu queria que não fosse eu, porque aí eu poderia ficar numa boa e assistir você sofrer, nem que seja calado num canto, mas sofrendo, mostrando algum arrependimento ou qualquer traço humano. Quem sabe eu até enfiaria os dedos ainda com anéis no meio dos seus cabelos e diria que tudo ficaria bem. Agora é tarde, meu anel já se foi, nem os dedos ficaram. Só que você sempre dá um jeito de se safar. Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um “até amanhã”’ nem “até breve” e nem “até mais”. É um “até você mudar” ou “até você não ser mais quem você é”. Até nunca, então.
Gabito Nunes. (via vivificada)
Mas você vai lembrar de mim. Quando o timbre de alguma voz parecer o meu, ou quando alguém repetir tantas vezes o seu nome como eu gostava de fazer, você vai lembrar. Quando olhar para o relógio e ver que é exatamente o horário em que eu costumava te procurar, seu coração vai doer, porque você vai desejar mais do que tudo esquecer. Quando se deitar e olhar o teto vai sentir falta do calor do telefone no seu ouvido me ouvindo falar sem parar. Sentirá minha falta em tudo o que for pequeno, nos mínimos detalhes, perderá as forças quando alguém te dizer aquela palavra que levará teus pensamentos diretamente aos meus, nas músicas que eu cantava pra você, no rouco da minha voz. E os beijos de qualquer outra pessoa te farão desejar ainda mais ter de volta os meus. Quando reclamar do frio, não encontrará ninguém que te esquente tão bem quanto eu. E você vai sentir minha falta. Por favor, diga que sim. Diz que não é só comigo. Promete que quando a nossa música tocar pelas rádios você desligará o som porque além de não gostar da música, seu coração doeu.
Casebre. (via desaguas)
Você passa por mim, vira o rosto, não diz nada. Comenta amenidades com a sua rodinha de amigos, toma a bebida que segura em goles curtos, sorri algumas vezes fitando o nada. Vamos lá, olha pra mim. Eu te encaro e você prefere observar a parede em branco. Você acena com os olhos, até que enfim! As minhas orações silenciosas a qualquer ser maior que todos nós valeram a pena. Eu aceno de volta, amigável, até perceber que o seu gesto receptivo era pra qualquer outro alguém anencéfalo atrás de mim. Tudo bem, isso foi quase um tapa na cara no meio da praça pública, mas não é o fim do mundo, por mais que tenha parecido por uma fração de três segundos. Depois dessa eu preciso de uma bebida, preferencialmente a mais forte que tiver. Por favor, uma dose daquele ali. Quer dizer, duas. Quanto custa mesmo? Obrigada. Seguro o copo como se fosse uma espécie de pote de outro e volto pro ponto estático inicial de onde vim. Você continua no mesmo lugar com seus amigos simpáticos e aparentemente engraçados, olhando pra qualquer outra referência do lado oposto do meu. Tenho vontade de dar passos largos e pesados até segurar forte o seu braço e ordenar que, de uma vez por todas, pelo amor de qualquer coisa que você tenha, olhe pra mim. Olhe pra mim e percebe que eu deixei a minha unha crescer, que o creme corporal que comprei tem cheiro bom, que as pontas do meu cabelo estão bem hidratadas ou coisa assim. Só olha pra mim. Não precisa ser com os mesmos olhos que você olhou pra bunduda que passou a cinco minutos atrás ou pra loira com um vestido de um palmo que quase abriu as pernas na sua frente. Olha pra mim como quem olha pra qualquer coisa, porque é o que eu sou. Qual o meu problema? A calça muito comportada? A maquiagem um pouco exagerada? O salto fino e doloroso que não vale a matade da grana que paguei nele? O sinal de nascença que tenho no meu dedo indicador? Não sei, mas queria que você soubesse pra eu tentar consertar. É nessas horas que eu desejo que você seja um desses super heróis com poderes e tenha visão raio-x, porque certamente o meu interior é bem mais bonito e interessante do que o meu exterior. Ok, chega, decido de uma vez por todas sair do contra ataque e ir pra guerra. Eu sempre gostei de desafios e estou cansada de ser o fantasma da brincadeira. Pergunto a uma amiga se ela tem alguma intimidade com você, ela diz que é apenas uma conhecida sua e eu penso que está de bom tamanho. Saber o nome de um homem desses é estar no lucro. Ou melhor: ser apresentada a um porte físico assim, um sorriso branco assim, um metro de ombros largos assim, um maxilar bem definido assim e um cabelo confundido com seda assim não é pra qualquer uma. Só me responde uma coisa, você sabe se ele está namorando? Pelo o que eu soube nas ultimas semanas, não. Não? Minha cabeça começa a girar em uma quilometragem absurda. Por Deus, como um homem desses que não se encontra dando sopa por aí, se encontra solteiro? Impossível. Meus cálculos nunca erram. O problema é que qualquer probabilidade mínima de alguma chance pro meu time não existe. Você não me olha. E nem imagina que está no meio de uma guerra onde não foi avisado que estaria, quanto mais lutando contra alguém sem arma alguma. Eu desvio o olhar por um segundo e logo te perco de vista. Onde? Onde foi parar o homem qual elegi o mais-bonito-de-todo-o-mundo? Penso que ele sequer tenha existido. Mas estava a poucos metros de mim quase agora! Deve ter sido coisa da minha cabeça. Um personagem criado por mim, porque era muita perfeição pra ter sido uma mera obra do cara lá de cima: é o que eu uso pra confortar o meu interior despedaçado e ir embora. Volto pra casa com uma sensação de derrota e de que poderia ter feito melhor. Não foi dessa vez, assim como não foi naquela, nem naquela outra daquele dia. Eu só não entendo o porquê de um desespero tão grande por uma coisa tão pequena: tudo o que eu queria era ser notada.
— Capitule (via com-versos)
É Newton, sua teoria não estava tão exata. Nem tudo que foi, voltou.
— (via protegiar)
Eu acho que quando tudo está acabado isso simplesmente volta em flashes, sabe? É como um caleidoscópio de memórias, isso tudo simplesmente volta. Mas ele nunca volta. Eu acho que parte de mim sabia, no segundo que eu o vi, que isso iria acontecer. Não é nada que ele tenha dito ou que ele tenha feito - é o sentimento que veio com ele. O louco é que eu não sei se eu vou voltar a sentir isso novamente. E eu não sei se deveria. Eu sabia que o mundo se movia muito rápido e queimava muito fortemente, mas eu pensei: “Como o diabo poderia te empurrar para alguém que parece tanto com um anjo quando sorri pra você?” Talvez ele soubesse disso quando me viu. Eu acho que perdi meu equilíbrio. Acho que a pior parte disso não foi perder ele, foi perder a mim. Eu não sei se você sabe quem você é até perder quem você era.
Taylor Swift, I Knew You Were Trouble.  (via impronunciar)
— Não acha que as vezes você se esforça demais?
— Olhe para mim. Que chance tenho se não me esforçar?
The Big Bang Theory   (via poetaciumenta)
Acho melhor acreditar que o cupido existe. É menos idiota do que saber que eu mesmo escolhi as pessoas que gostei.
Soulstripper    (via mal-educado)
Bem ou mal, ela sente sua ausência. Toda noite, evita estar em casa lembrando que o espaço do apartamento triplicou por um milhão. Sente falta de camisetas espalhadas aleatoriamente. Fica lembrando ele cozinhando espaguete al pesto, ou quando ele sentava na janela dedilhando “Tears In Heaven”, ou assistia o colorado comportadinho, roendo as unhas sem parar, os pés no sofá. Hoje, coleciona casos com cafajestes fajutos. Sente falta dos sermões que levava por andar descalça no chão frio. Verifica o funcionamento do telefone: tu-tu-tu. Presos pela liberdade, prosseguem cada um na sua, conectados por um fio invisível que não conduz mais eletricidade. Um fio de saudade dissonante e a certeza de que, amor como aquele deles, não acontece no tocar de uma varinha de condão.
Gabito Nunes.  (via procenio)
Acenda meu cigarro e olhe dentro dos meus olhos, nesses olhos que agora não acreditam nos seus, veja bem esse rosto cansado atrás do fogo, enquanto trago minha morte e assopro no seu rosto. Fique distante, o mais distante que conseguir. Eu não acredito em você, não acredito em nada que venha de você, suas lágrimas viraram águas passadas. Hoje está frio, e eu gosto disso, o clima lá fora combina com o clima aqui dentro. Em breve estarei bem longe torcendo pra que nossas vidas não se cruzem nunca mais. Não diga nada, suas mentiras me machucam. A porta está bem ali, faça como sempre fez, movimente sua existência vazia e perdida sem olhar pra trás. A noite está bonita lá fora, ao sair observe as estrelas bordadas no céu, cada uma delas tem sua história, seu significado, seu começo, sua explicação. Diferente da gente.
Sean Wilhelm. (via delator)
Que porcaria, isso. Eu assisti essa pessoa depilando as axilas debaixo do mesmo chuveiro. Eu vi essa pessoa de pijama. Eu transei sem camisinha com essa pessoa. Eu aturei o seriado Grey’s Anatomy sempre que essa pessoa chegava antes no controle-remoto. Eu rabisquei os azulejos com batom insinuando amar para sempre essa pessoa. Fui ao supermercado às onze da noite porque essa pessoa estava a fim de comer batatinhas sorridentes. Eu me preocupei com as provas semestrais dessa pessoa. Eu baixei da internet canções de quem não gosto, como as do Jack Johnson e Guns N’ Roses, para que essa pessoa pudesse correr no parque alegremente aos sábados. Eu esfreguei à mão as calcinhas sujas dessa pessoa. E agora essa pessoa simplesmente desfila na minha frente com outra pessoa. Sei que depois disso enchi a cara.
Gabito Nunes.  (via procenio)
http://oxigenio-dapalavra.tumblr.com/post/80639912434/ta-la-a-foto-do-seu-rosto-trato-de-imaginar-o

tá lá, a foto do seu rosto.

trato de imaginar o resto do corpo, o contorno dos braços. os pelos e pintas. tudo que é seu: barba, medo e cuidado. tudo que é seu fica em mim do jeito errado. como um vício que eu só aceito e não perdoo. como uma praga que me afaga o corpo todo e eu contraio e que…

É muito difícil crescer em uma família perfeita quando você não é perfeito.
— Christian Grey || Cinquenta tons de cinza || E. L. James (via fifty5hades)
FUTURASUICIDA ©